Doenças ocupacionais mais comuns: o que muda em cada setor

Uma metalúrgica em Santo André, um escritório em São Bernardo e um hospital em Mauá têm algo em comum: nos três, alguém pode adoecer por causa do trabalho. O que muda é a doença. As doenças ocupacionais mais comuns variam muito de uma atividade para outra, e tratar todos os setores do mesmo jeito é o caminho mais curto para o afastamento.

Neste artigo, a equipe da Alphamed mostra o que mais aparece em cada atividade, por que isso acontece e como a sua empresa pode agir antes que o problema vire atestado, CAT e processo. O primeiro passo é simples: conhecer os riscos da própria atividade.

O que são doenças ocupacionais

Doenças ocupacionais são aquelas causadas ou agravadas pelo trabalho. A Lei nº 8.213/1991 divide o tema em dois grupos:

  • Doença profissional: ligada diretamente à atividade, como a perda auditiva de quem trabalha anos ao lado de máquinas ruidosas.
  • Doença do trabalho: adquirida por causa das condições em que o trabalho é feito, como uma lesão nas costas causada por uma rotina de levantamento de peso sem apoio.

Na prática, o nome importa menos do que o efeito. Quando a doença tem relação com o trabalho, ela pode ser tratada como acidente de trabalho para fins previdenciários. Isso gera afastamento, benefício acidentário, estabilidade no emprego após o retorno e, em alguns casos, ação judicial.

Por que as doenças ocupacionais variam tanto por setor

Cada atividade expõe o corpo e a mente a um conjunto diferente de riscos ocupacionais: físicos (ruído, calor, vibração), químicos (poeiras, solventes), biológicos (vírus e bactérias), ergonômicos (postura, repetição, ritmo) e psicossociais (pressão, assédio, sobrecarga).

Isso tem um efeito concreto. O INSS usa estatísticas por atividade econômica para reconhecer a relação entre a doença e o trabalho. Se o seu setor tem alta incidência de determinada doença, o afastamento de um funcionário com esse quadro pode ser caracterizado como acidentário mesmo que a empresa não tenha emitido a CAT. Por isso, conhecer o perfil de adoecimento da sua área não é curiosidade, é proteção.

Quais são as doenças ocupacionais mais comuns no Brasil

Antes de entrar nos setores, vale olhar o quadro nacional. Segundo dados da Previdência Social noticiados em 2026, os problemas de coluna lideram as concessões de auxílio por incapacidade temporária: a dorsalgia respondeu por mais de 237 mil benefícios e os transtornos dos discos intervertebrais por mais de 208 mil. As lesões por esforço repetitivo (LER/DORT) em ombros, braços, punhos e mãos somaram cerca de 135 mil benefícios.

Os transtornos mentais, por sua vez, bateram recorde: foram mais de 534 mil afastamentos em 2025, com destaque para ansiedade, depressão e burnout.

Ou seja, coluna, articulações e saúde mental aparecem em praticamente todos os setores. O que muda é o peso de cada um e o que vem junto. É isso que mostramos a seguir.

Doenças ocupacionais mais comuns por setor (resumo)

SetorDoenças e agravos mais frequentes
Indústria e metalurgiaPerda auditiva por ruído, LER/DORT, dermatoses, doenças respiratórias
Construção civilLombalgias, pneumoconioses (como a silicose), perda auditiva, dermatite de contato
Escritórios e administrativoLER/DORT, dores na coluna, fadiga visual, transtornos mentais
SaúdeDoenças infecciosas, LER/DORT, dermatites, burnout
Transporte e logísticaDores na coluna, fadiga, LER/DORT, estresse
Comércio e varejoProblemas circulatórios nas pernas, dores na coluna, estresse
TeleatendimentoDistúrbios de voz, LER/DORT, transtornos mentais
Alimentação e limpezaDermatites, LER/DORT, dores na coluna e nas pernas

Setor por setor: onde o risco aparece

Indústria e metalurgia

O ABC é uma região de forte presença industrial, com cadeias automotiva, metalmecânica e química. Nesse ambiente, três problemas se destacam:

  • Perda auditiva induzida por ruído (PAIR): é gradual, silenciosa e irreversível. Quando o trabalhador percebe, boa parte da audição já se foi.
  • LER/DORT: movimentos repetitivos em linha de produção, uso de ferramentas e esforço constante sobrecarregam punhos, cotovelos e ombros.
  • Dermatoses e problemas respiratórios: contato com óleos, solventes, fumos metálicos e poeiras.

A prevenção passa por medição de ruído, protetores adequados, revezamento de tarefas, ventilação e exames periódicos que incluam audiometria.

Construção civil

Aqui o corpo trabalha em carga alta. As lombalgias são muito comuns, assim como a perda auditiva por ferramentas e máquinas. Há ainda o risco das pneumoconioses, doenças pulmonares provocadas pela inalação de poeira, entre elas a silicose, associada à sílica presente em cimento, areia e pedras. O cimento também causa dermatite de contato.

Esses quadros podem demorar anos para aparecer, o que torna o acompanhamento médico ao longo do tempo ainda mais importante.

Escritórios e atividades administrativas

Quem pensa que escritório é lugar seguro para a saúde se engana. Postura inadequada, mobiliário mal ajustado e horas seguidas de teclado e mouse geram dores na coluna e LER/DORT. A tela traz cansaço visual, e a pressão por prazos e metas alimenta o estresse.

Aqui, a ergonomia e a gestão da carga de trabalho fazem a maior diferença. É também o ambiente onde os riscos psicossociais mais pesam, tema que ganhou destaque com a atualização da NR-1.

Saúde: hospitais, clínicas e laboratórios

Profissionais de saúde convivem com riscos biológicos: contato com sangue, secreções e pacientes com doenças infecciosas. Somam-se a isso o esforço físico para movimentar pacientes, os plantões longos e a carga emocional do cuidado. O resultado é uma combinação de doenças infecciosas, lesões musculoesqueléticas, dermatites e burnout.

Vacinação em dia, uso correto de EPIs e cuidado com a escala de trabalho são pilares da prevenção.

Transporte e logística

Motoristas, operadores de empilhadeira e equipes de armazém passam muito tempo sentados ou em esforço repetitivo, expostos à vibração e a jornadas longas. As queixas mais comuns são dores na coluna, fadiga e estresse. A fadiga, além de adoecer, aumenta o risco de acidentes graves.

Comércio e varejo

Quem passa o expediente em pé, como caixas, vendedores e repositores, sofre com problemas circulatórios nas pernas e dores na coluna. A pressão por vendas e o atendimento ao público acrescentam desgaste emocional. Pausas, calçados adequados, bancos de apoio e organização das tarefas ajudam bastante.

Teleatendimento e call center

É um dos setores em que o adoecimento ocupacional é mais evidente: uso intenso da voz, digitação contínua, metas rígidas e monitoramento constante. Os problemas típicos são distúrbios de voz, LER/DORT e transtornos mentais. A gestão do ritmo e das pausas é decisiva.

Alimentação e limpeza

Cozinhas e serviços de limpeza combinam contato com água, detergentes e produtos químicos, calor, tarefas repetitivas e muito tempo em pé. Surgem dermatites de contato, dores nas costas e nas pernas e LER/DORT.

Os transtornos mentais estão entre as doenças ocupacionais mais comuns em todos os setores

Se há um agravo que não respeita fronteira de atividade, é a saúde mental. Sobrecarga, metas abusivas, falta de clareza nas funções, assédio e ausência de reconhecimento podem adoecer um operador de máquina tanto quanto um analista de TI.

Desde 26 de maio de 2026, a NR-1 exige que esses fatores sejam tratados dentro do PGR, o Programa de Gerenciamento de Riscos. Em junho, o STF suspendeu temporariamente as sanções ligadas a esse tema e a suspensão foi prorrogada em setembro, mas a norma continua em vigor e o dever de cuidar da saúde dos trabalhadores também. Para entender esse cenário, leia nosso artigo sobre a [nova NR-1 e os riscos psicossociais] [link interno].

Como prevenir as doenças ocupacionais mais comuns na sua empresa

Conhecer os riscos é o primeiro passo. O segundo é transformar esse conhecimento em rotina. Estes são os pilares de um bom programa de prevenção:

1. PGR atualizado e realista. O PGR identifica os perigos da sua operação e define as medidas de controle. Um inventário copiado de modelo pronto não enxerga os riscos reais do seu setor.

2. PCMSO alinhado ao PGR. O programa médico deve ser planejado a partir dos riscos identificados. É ele que define quais exames cada função precisa fazer.

3. Exames ocupacionais em dia. Admissional, periódico, de retorno ao trabalho, de mudança de risco e demissional. Quando o exame é feito no prazo certo, a doença é detectada cedo, muitas vezes antes de virar incapacidade.

4. Ergonomia e organização do trabalho. Ajustar posto, ritmo, pausas e distribuição de tarefas costuma ter custo baixo e retorno alto.

5. Treinamento e cultura de prevenção. Quando a liderança entende o risco, o time também entende.

6. Registro de tudo. Em caso de fiscalização, perícia ou ação trabalhista, o que está documentado protege a empresa.

Quanto custa não prevenir

A conta de uma doença ocupacional vai além do salário do afastado. Há o custo de substituição, a queda de produtividade, a possível estabilidade de 12 meses após o retorno, o aumento do FAP e o risco de indenização. Prevenir quase sempre custa menos do que remediar.

Por que contar com a Alphamed

A Alphamed atua há 21 anos em segurança e medicina do trabalho em Santo André e atende empresas de todo o ABC Paulista. Cuidamos de PCMSO, PGR, LTCAT, exames ocupacionais, treinamentos e integração com o eSocial, tudo de forma conectada.

Nosso diferencial é ser a única empresa da região a realizar todos os exames complementares em um só lugar. Para o colaborador, isso significa menos deslocamento. Para a empresa, menos horas perdidas e um fluxo mais simples de acompanhar.

Nosso trabalho começa pela realidade da sua atividade. Olhamos a sua operação, apontamos quais doenças ocupacionais mais pesam no seu setor e montamos um plano que você consegue cumprir.

Conheça os riscos da sua atividade antes que eles apareçam no atestado

Cada setor tem as suas doenças ocupacionais mais comuns, e a sua empresa tem os riscos dela. Descobrir quais são, antes de um afastamento, é a decisão mais barata e mais inteligente que um gestor pode tomar.

Fale com a equipe da Alphamed e peça uma avaliação dos riscos da sua atividade. Ajudamos você a ver o que está exposto, o que está em dia e o que precisa de ajuste.

Fale com a Alphamed agora mesmo!

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